Monte Roraima – Uma conquista Pessoal (Parte I)

Monte Roraima – O início da jornada

Após um bom tempo sem pratica de esportes e sem “nenhuma” atividade mais esportiva, decidi que queria me desafiar, buscar uma aventura que me levasse ao meu limite físico, claro que não ia sair feito um louco e escalar o Aconcágua (Ainda está nos meus planos para 2020 quem sabe), então resolvi subir o monte Roraima.

Um trekking que muita gente já tinha me contado que não era para qualquer um, que exigia bastante de quem desejava conquistar o platô.

Então comecei minhas pesquisas, comecei a fazer uma leve preparação com funcional e caminhadas, e buscar o Guia que me levaria a um dos montes mais antigos do Mundo, e não foi tão difícil quando pensava encontrar alguém competente e responsável para isso, em geral os guias da Venezuela são bem organizados, sem falar que os preços são muito mais atrativos que os valores das agências brasileiras.

Conhecer o monte Roraima era um desejo antigo, despertado ao longo dos anos e em algumas viagens onde conheci pessoas que já conheciam e a cada história me encantava mais com a possibilidade de alcançar essa aventura.

Então lancei a ideia para alguns amigos que tinham ido no ano anterior comigo ao Vale do Pati na Chapada Diamantina, alguns se interessarem e no final de muita conversa e pesquisa 2(dois) destes estavam dispostos a trilhar essa aventura, começava aí todo trabalho de pesquisa e planejamento para achar a forma mais viável de se chegar a Venezuela e se aventurar no mundo perdido.

Logo nas primeiras pesquisas tanto no mochileiros.com como em vários outros sites encontrei muitas dicas, referencias de guias, quase toda informação necessária, então comecei a fazer contato com os Guias para cotar os melhores preços e benefícios para que nossa aventura fosse a melhor!

Um amigo que havia ido ao monte meses antes me indicou um guia chamado Heber Herrera da Explora Tepuy, cara jovem, guia independente que logo nas primeiras conversas por WhatsApp se mostrou muito responsável e comprometido com segurança e atenção ao turista que ele ia levar ao topo do monte.

Conversamos por alguns meses, para alinhar toda nossa aventura, e finalmente fechamos nossa viagem com 8 dias de trekking ao Monte Roraima e mais um dia no Parque Canaima para relaxarmos e conhecermos um pouco desse imenso parque nacional da Venezuela.

O Inicio da Viagem

Comecei minha jornada saindo de recife num voo pinga-pinga até Chegar em Boa vista, Roraima, saindo de Recife as 5:00 da manhã, indo até Brasília, de lá Manaus e depois Boa Vista, onde iria encontrar o restante do meu Grupo que já tinha 7 Integrantes (Daniel, Miria, Roberto, Luciano, Claudia, Vagner), cheguei em Boa Vista umas 16:00 mais ou menos e fui até o hotel que tínhamos reservado na cidade, o Hotel Barrudada, bem legal e confortável e com preço justo, como ia ser nossa última noite dormindo bem então era uma boa pedida.

No dia seguinte a Chegada em Boa vista depois de uma viagem longa e cansativa e do descanso merecido na noite anterior, fechamos os Taxi que nos levaria até a divisa na cidade de Pacaraima.

Saímos do Hotel e seguimos até ao terminal de passageiros de Boa Vista que fica relativamente distante de onde estávamos, sentimos certa dificuldade para chegar ao local pela dificuldade de transporte urbano, pela distância do terminal e pela dificuldade de informações corretas, acho que o pessoal de Boa Vista tem uma perspectiva um pouco diferente de “bem ali”(risos).

Andamos muito, mas muito mesmo, e finalmente chegamos ao terminal, conseguimos fechar dois táxis para nos levar até Pacaraima onde encontraríamos o Héber e atravessaríamos a aduana para a Venezuela.

Pegamos o Taxi, acertamos no hotel, carregamos as mochilas e partimos em direção a cidade de Pacaraima, dois táxis onde no primeiro carro foram o Luciano, o Roberto, a Claudia e o Vagner, no segundo carro seguimos Eu, Miria, Daniel, e mais duas amigas que encontramos em Boa Vista e que também seguiriam nessa aventura, eram ela a Rose, e a Elisa.

Todos embarcados seguimos viagem todos felizes e alegres a cantar… foi então que achamos que nossa aventura tinha acabado!

O Acidente

Ao chegar mais ou menos na metade do caminho os motoristas em certa velocidade um atrás do outro, sendo que nosso carro um pouco mais distante que o primeiro, e um outro mais próximo deste primeiro táxi, seguiam numa rodovia numa velocidade aceitável para esse tipo de rodovia, entre 100 e 120 km/h, então esse motorista de um parati que vinha com seus 4 netos, carregados de peixes de uma pescaria, resolveu entrar a esquerda de vez, sem sinalizar.

Não deu outra, o primeiro carro da nossa aventura bateu forte na lateral desse carro, jogando peixe pela estrada, sacudindo um monte de crianças que vinham sem sinto nesse carro, e ferindo pessoas em ambos.

Na Parati o Motorista que diga-se de passagem era meio louco, e todo remendado, para ter ideia ele andava de muletas e estava dirigindo o carro, batel a cabeça e levou um corte fundo, amarrou a camisa na cabeça e começou nossa agonia para socorrer o pessoal, descemos em disparada do segundo táxi para ver como todos estavam no outro táxi.

Roberto estava um pouco desorientado pois como estava no banco do passageiro e por sorte de sinto, bateu a cabeça lateralmente na Janela do carro ficando um pouco atordoado, Claudia bateu os dois joelhos no banco do motorista quando fez força para “segurar” o impacto, Vagner estava no meio não sofreu nada, apenas o susto, a preocupação foi o Luciano, que machucou a mão, quando se apoiou no banco da frente para segurar também sua batida neste.

Inicialmente todos aparentemente bem fisicamente em nosso grupo, mas no grupo do carro além do motorista com um corte na cabeça, uma das crianças parecia ter quebrado/deslocado a clavícula, outras estavam bastante assustadas, foi então que a sorte olhou para gente mais uma vez! Acho que eram os deuses do monte nos auxiliando para chegar a nossa jornada.

Parou nesse momento uma viatura da PM de Boa Vista com dois Policiais, um motorista e um Oficial que era o comandante da polícia de lá, prontamente ajudaram a socorrer as crianças e o motorista para Boa Vista e no nosso caso não achamos que precisaríamos voltar a Boa Vista para Cuidados médicos e aguardaríamos outro táxi para seguir viagem.

Quase que imediatamente passava um outro táxi retornando de Pacaraima da mesma empresa de táxi que estávamos, o segundo taxista para o carro e acerta com ele para nos transportar até o destino final, pois nosso primeiro motorista e o táxi dele estavam totalmente impossibilitados de seguir, para ter ideia a Roda dianteira do carro foi arrancada e ele precisaria ficar para resolver os tramites do acidente e rebocar o carro de volta a Boa Vista.

Seguimos viagem a Pacaraima e a Aduana Venezuelana para dar entrada no País vizinho., chegando lá quase uma hora depois do previsto, o Héber já nos aguardava e tinha tentado me ligar umas 10 vezes pelo menos, como não tínhamos sinal ele estava preocupado pela demora.

Desembarcamos e iniciamos o processo para dar entrada na Venezuela, indo até a PF para pegar as permissões de saída do Brasil, atravessamos no casso que o Heber havia ido nos pegar e paramos na Aduana para dar entrada na Venezuela.

Depois de entrevistados pelos policiais venezuelanos e pegar nossos carimbos de entrada, ficamos um tempinho descansando e esperando Heber acertar tudo para seguirmos a Santa Elena.

Nesse meio tempo o Luciano que tinha machucado a mão estava sentindo mais dores e a mão estava mais inchada que o normal, então falamos com Héber para ver um médico na cidade e dar uma olhada.

Com todos problemas na Venezuela, encontrar um médico lá é uma jornada bem complicada, os hospitais da cidade estavam sem condições de atendimento, e o Luciano teve que pular de hospital em hospital até encontrar uma clínica particular de um médico argentino que o Heber conhecia.

Fez raio X, tomou remédio, e colocou aquele belo gesso branco no braço, e daí veio a dúvida, será que vai dar para subir? Claro, o Andrés (irmão do Heber e Fotografo Oficial da Explora Tepuy) carregará sua mochila, depois de negociar o valor e finalmente passar o sufoco até então estávamos prontos para descansar mais uma noite e no dia seguinte seguir para conquistar o Monte Roraima.

Chegada em Santa Elena

Em Santa Elena demos uma volta pela cidade, trocamos dinheiro, conhecemos alguns locais como o mercado de alimentos, onde tinha vários restaurantes, e todos nos abordavam incansavelmente para vender alguma coisa.

Seguimos o Héber e almoçamos em um desses locais, comida muito boa e a um preço justo, e depois seguimos para a pousada que ele tinha reservado para todos, que tinha quartos confortáveis e um ótimo banho quente, anoite saímos para tomar uma cerveja

Acordamos cedo e por volta das 07:00 já tomados café e começando a organizar mochilas e o carro para partir a aldeia de indígena onde iniciaríamos nossa jornada.

Nesse momento foi nos apresentado mais um integrante ao grupo o Augusto, que inicialmente estava fechado com outro guia mais por problemas de logística com o restante do seu grupo inicial foi encaminhado para nossa turma, acho que ele deu sorte nessa!

Apresentações feitas, risadas, brincadeiras, o clima estava muito bom, grupo entrosado, descontraído e muito diversificado, baianos, pernambucanos, paulistas, candangos, gaúchos, um pouco de cada cantinho do Brasil juntos para se aventurar ao topo do monte Roraima um lugar até então desejado e sonhado por todos cada um dá sua forma.

Nas duas horas de viagem até a aldeia podemos desfrutar de uma vista sensacional da savana venezuelana, com seus campos verdes, clima agradável e de uma beleza indescritível, o parque nacional de Canaima tem belezas únicas, e que trazem uma paz e tranquilidade que poucos locais conseguem passar.

Chegada na Aldeia

Chegamos na aldeia e o Héber foi dar nossa entrada no parque e pagar as taxas de ingresso ao monte que custaram 1000 bolívares de cada.

A equipe da Explora Tepuy já tinha desembarcado tudo dos carros, nossas mochilas e todo aparato que eles levam para dar nosso suporte até a volta e olha que é muita coisa, barracas, fogareiro, comida e até banheiro eles levam lá para cima.

Tudo pronto começamos nossa caminhada a encontro do gigante Roraima que de longe já nos encantava com sua forma, tamanho e imposição no horizonte, que mesmo distante já nos deixava boquiabertos.

continua…

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