Monte Roraima – a continuação da jornada

Após organizar o material e os carregadores da Explora Tepuy distribuírem suas cargas e tarefas, fomos até o ponto de acesso ao parque Canaima onde está o Monte Roraima para pagar a permissão de entrada, e depois partirmos em nossa caminhada ao primeiro acampamento no Rio Tek, onde pernoitaríamos e poderíamos tomar um banho de rio, relaxar e descansar para o próximo trecho da aventura.

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Depois de paga a entrada no parque, tomado água, arrumado a mochila e recebido nosso lanche para trilha iniciamos nossa caminhada rumo ao Gigante Roraima!

Ao iniciar essa jornada a visão do monte ao longo de nossa caminhada já nos deixa impressionados com o tamanho do lugar, e a imponência dele naquele cenário, que por sinal se destaca fortemente.

O parque onde o Monte Roraima se encontra é impressionantemente lindo, uma vegetação de beleza única e de um verde que deixam boquiabertos, o caminho todo em direção ao monte é repleto de subidas em morros, descidas, alguns trechos bem retos e tranquilos onde pode se perder no tempo parando para admirar a paisagem e tirar algumas ótimas fotos, pois o ambiente é realmente convidativo para admirar.

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Durante a jornada o Grupo que tinha se formado a pouco tempo, onde conhecia até então de outra viagem dois amigos apenas e tinha conseguido os demais na formação dessa aventura ia se entrosando e conversando, aprendendo, compartilhando e esse último o compartilhar acho que é um dos melhores ensinamento os que o trekking traz a todo mochileiro, o sentimento de união e entrega aos laços criados durante essas jornadas, onde a amizade recente algumas vezes se torna algo forte e parecida como amizades de infância.

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Logo após uma caminhada de umas duas horas mais ou menos resolvemos parar no alto de um dos morrinhos que encontramos em nosso caminho para comer parte do nosso lanche, e por alguns minutos ficar admirados com a beleza do lugar e para ver também a distância já percorrida até ali!
Ao olhar ao fundo já vemos distante a aldeia onde iniciamos nossa caminhada, e já sentimos aquele orgulho de chegar até ali, fica uma mistura de gratidão, expectativa para o restante do caminho e uma vontade enorme de chegar logo aos pés do gigante Roraima.

Recomeçamos nossa caminhada e após mais ou menos uma a duas horas de caminhada chegamos a nosso destino final desse dia, o Acampamento Rio Tek, lá encontramos três casinhas pequenas feitas do que chamamos aqui no Nordeste de Taipá, que são casas feitas de madeira e barro, e telhado de palha, bem simples, mas que ao todo viviam duas famílias.

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Entre essas famílias conhecemos uma Brasileira, de São Paulo a Paula que a um tempo havia visitado o Monte e em meio sua aventura acabou se apaixonando por um nativo da região e largou tudo para viver lá no Roraima, isolada de tudo, em um ambiente totalmente livre das poluições atuais, mas essa é outra história para outro post (ou não)!
Nosso Guia o Heber, logo foi fazer o reconhecimento do melhor lugar para levantar acampamento e para podermos tomar um banho, pois a melhor hora para fazer isso é na chegada, porque após duas horas de caminhada, você está totalmente aquecido e elétrico para seguir para o banho no Rio que acreditem a cada metro mais próximo do Monte fica mais frio, mas muito mais frio!

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Após o Heber nos orientar a pegar as coisas para o banho e indicar o local mais “calmo” do rio, ele foi fazer o reconhecimento do local onde seriam armadas as barracas, no entanto ele como Guia experiente visualizou a possibilidade de Chuva durante a noite e dessa forma nos orientou a fazer a travessia do Rio após o Banho, andar cerca de 20 min mais, fazer a travessia do Rio Kukenan e acampar em um abrigo nesse ponto. Todo mundo concordou, se organizou e seguiu para o próximo ponto da aventura.
Essa foi a melhor escolha a ser feita, choveu anoite toda e o nível do Rio subiu muito, outros grupos que não fizeram a travessia no dia anterior tiveram que esperar o nível do Kukenan baixar para poder seguir caminho, perdendo quase meio dia de viagem por esse motivo.

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No Abrigo as margens do Rio Kukenan, podemos armar as barracas, descansar, rir e conversar muito, e também compartilhamos uma deliciosa janta feita por nosso guia e sua equipe, nesse dia ele também nos deu algumas orientações, sobre o caminho, sobre o cuidado com as roupas e equipamentos, pois na “montanha nada seca”, e se molhar a roupa de dormir complica tudo, nos orientou sobre o uso do banheiro ali e também no Monte, e essa é uma parte que eles se preocupam muito lá! Presam demais pela organização, preservação e limpeza do Roraima, tanto que um membro da equipe é responsável por montar, desmontar e carregar todo lixo criado por nós em todo trajeto, todo lixo é trazido para a cidade e jogado fora, nada é deixado na montanha.
Dormimos e levantamos bem cedinho, para levantar acampamento e seguir ao nosso último destino antes da subida ao Monte Roraima, seguimos para o acampamento base, aos pés do imponente Monte! Confesso que ao chegar no acampamento base fiquei muito emocionado de ver tão grandioso era o local que por anos sonhei em conhecer, uma mistura de ansiedade com emoção que contagiava.

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A equipe da Explora Tepuy como sempre já estavam no acampamento a um bom tempo antes que nos, já estavam armando nosso acampamento e preparando nossa refeição, e nos começamos a montar nossos varais para tentar secar as poucas roupas, toalhas que estavam úmidas dos dias anteriores, e seguimos para o local onde nos foi indicado para o banho, galera tenho que confessar que depois de chegar lá e sentir a água bateu uma imensa vontade de NÃO TOMAR BANHO, caraca que gelo! Estupidamente gelada, daquela que dói na pele de tão fria! (Risos), mas seguimos firmes e fortes para o banho. Após o jantar todo mundo seguiu par admirar a lua, o céu estrelado lá aos pés do monte e depois todo mundo se escondeu em suas barracas par descansar pois no dia seguinte começaria realmente nossa aventura rumo ao todo do monte, e todos estavam muito ansiosos por esse momento.
Começamos a subida ao monte cedinho e a cada passo rumo ao gigante Roraima ficava mais impressionado com o tamanho dele, era imenso, imponente, e espalhava uma energia incomum, depois de umas 4 a 5 horas de subida chegamos ao topo do monte, e digo sem vergonha nenhuma, lágrimas rolaram aos meus olhos depois de chegar ali e olhar tudo que andamos para trás, a vista de cima do monte é majestosa, uma visão incomparável e digna de contemplação sem tempo mínimo, mas precisávamos seguir par amontar acampamento e seguir para nossas próximas aventuras em cima do monte Roraima.
Nos dias seguintes fomos percorrendo todo mundo perdido e visualizando um ambiente e principalmente um clima totalmente diferente do que já havia visto, o Monte tem todo um ecossistema próprio e um clima particularmente volátil, que passa rapidamente dos 18ºC para uns 7ºC num minuto.

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Vimos beleza únicas da flora do Monte, suas belezas como o vale dos cristais, El Fosso, A tríplice Fronteira, As Jacuzzis (Sensacionais), La ventana que dá uma vista sensacional da selva venezuelana, podemos desfrutar do amanhecer no mirante Mavericks, um dos mais belos que já presenciei, conhecemos também o lago gladies, com seu silencio e imensidão.
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O monte Roraima tem muitas belezas únicas escondidas na sua imensidão, foram 3 dias no topo do monte inesquecíveis, e que me mudaram de dentro para fora, esse é um dos poderes do Monte Roraima, ele molda as pessoas da sua essência até seu exterior.
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Se você quer saber mais sobre o Monte Roraima, quer dicas de como ir, com quem ir, qualquer duvida!

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Chapada Diamantina – Parte I

Primeiro Post não poderia ser de um lugar diferente se não na Chapada Diamantina, que foi “praticamente” onde nasceu minha paixão por viajar e mochilar!

O ano foi 2015 (recentemente eu sei!), bom, a ideia inicial era passar meu aniversário de 33 anos (estou velho, mas não estou morto!), de uma forma totalmente diferente dos últimos anos, foi aí que surgiu a ideia de conhecer a Chapada diamantina.

Alguns amigos já falavam muito deste lugar, no meio da Bahia, escondido entre vales, cidadezinhas, mata e muita estrada de terra, onde encontramos um dos mais belos parques nacionais, O parque Nacional da Chapada Diamantina.

Na escolha do roteiro, de cara já entrou o Vale do Paty, considerado um dos trekkings mais bonitos do Brasil, e cá para nós?! É realmente o mais bonito viu, são tantas belezas particulares, tantos caminhos, cachoeiras, morros, trilhas, animais, flores, que poxa, impossível descrever todas as sensações e sentimentos que você tem ao passar por lá.

Chapada Diamantina foi a minha escolha inicial, mas também foi a escolha de mais 15 amigos que conheci na internet, no site dos Mochileiros.com onde eu estava buscando companhia e muitas outras pessoas também.

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Começava nesse momento a organização de um roteiro que seria um divisor de águas na minha vida, um momento onde eu entenderia que viajar é o maior bem que podemos adquirir, e que viajar com vários desconhecidos com o mesmo objetivo, que era se divertir, curtir a natureza e fazer novas amizades, seria a melhor escolha que eu já havia feito.

Saindo de Recife para Salvador, num voo da Gol que foi bem rapidinho, de lá pegando um taxi até a rodoviária e correndo para comprar a passagem de ônibus para a cidade de Lençóis, de onde sairíamos para iniciar nossa aventura.

Passagem comprada, encontrava o primeiro amigo viajante o Jhonny que vinha de Goiás, embarcamos no ônibus e seguimos por 7 horas de viagem rumo a cidade de Lençóis.

Ao chegar em Lençóis foi outra aventura, esperamos aparecer um táxi para nos levar até a pousada que ficamos, chegamos lá e fomos os primeiros do grupo, resto do pessoal ainda estava na aventura de chegar ao Capão na Chapada Diamantina.

Dia seguinte, todos já instalados e se conhecendo, afinal todo mundo só se conhecia do grupo do Whatsapp e Facebook, então seguimos batendo papo e se organizando para sair e conhecer a cachoeira da fumaça, considerada a primeira cachoeira mais altas do país, com 380 metros de altura, a Cachoeira da Fumaça é um dos principais atrativos da Chapada Diamantina!

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São 5,8 km de caminhada, sendo 1,9 km de subida com vista para o belo Vale do Capão de um lado e ao norte o Morrão. Após vencer a subida a trilha fica fácil seguindo uma trilha plana até o mirante da cachoeira, após uma volta de 2 horas de caminhada, seguiremos rumo a cachoeira do Riachinho para tomar um banho refrescante e ver um lindo pôr do sol, posso dizer um dos mais bonitos que já vi.

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Cachoeira é sensacional e muito calma, mas na época que fomos e ainda mais no horário de fim de tarde ela estava muito cheia, por conta do Pôr do sol sensacional que pode se ver de lá, vale muito apena ir conferir.

No segundo dia pegamos um transfer do Vale do Capão até pequeno povoado de Guiné, o acesso mais fácil para o vale do Pati, começamos subindo pelo morro do Beco, com uma maravilhosa vista para a serra do Esbarrancado que tem em um dos seus picos 1.700 metros de altitude, o ponto culminante do Parque Nacional.

Após a tranquila subida do Beco chegamos aos gerais do Rio Preto um lugar de beleza sem igual, caminhamos até o Rio Preto e fizemos uma pausa para o lanche, a trilha segue plana até o mirante da serra da Rampa, com uma das vistas mais espetacular da Chapada Diamantina.

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Após o mirante a descida é íngreme, depois a trilha fica tranquila sob a sombra até o rio Pati, chegamos então ao nosso ponto de apoio no vale do Pati a chamada “Igrejinha” e casa do Seu João, onde pernoitaríamos todas as noites da nossa aventura no Pati.

Após todos se acomodarem seguimos para conhecer a cachoeira da Altina, tomar um banho e relaxar naquele lugar sensacional.

 Continua…